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Antes do adeus a Hakone, voltei a um onsen pela… bem, acho que perdi a conta! Os onsen são fontes termais vulcânicas naturais, em muito apreciadas pelos japoneses (ou não fossem mais de 100 000 no país!), que ajudam a melhorar a saúde e, consequentemente, promovem uma melhor qualidade de vida. Se originalmente estas fontes termais consistiam em banhos mistos, com o passar dos anos tornaram-se em algo cada vez mais raro. Atualmente, a grande maioria dos onsen possui o banho separado para homens e mulheres, para além de proibir o uso de vestuário para o efeito. Confesso que, se nas primeiras vezes me sentia desconfortável, com o tempo comecei a identificar-me com um dos slogans mais famosos de Pessoa, “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”! Nos onsen somos seres livres de quaisquer espartilhos físicos, socioeconómicos ou culturais, decididos a abolir eventuais modelos sociais ou preconceitos, juntamente com falsos pudores e tristes vaidades. Naqueles dias pude assim testemunhar, em primeira mão, que aquelas fontes termais são claramente uma forma de conexão entre a natureza e as pessoas, onde é possível ter conversas transformadoras com estranhos, fazer amigos, assim como ver colegas de trabalho ou famílias a divertirem-se._dsc9463

Revitalizados pelo poder curativo da água, voltámos a Tóquio, em busca do Palácio Imperial. Conta a história que, em 1868, após a restauração Meiji e a resignação de Tokugawa Yoshinobu, a corte imperial japonesa mudou-se de Quioto para Tóquio, e o Edo-jo, a antiga fortaleza, foi convertida na residência do Imperador. Destruída durante a Segunda Guerra, foi reconstruída em 1968, sendo que a maior parte do palácio não está acessível ao público, à exceção do dia de aniversário do Imperador Akihito e do dia de Ano Novo. Porém, é possível visitar os Jardins Orientais, de forma a ter noção de como era esta área nos tempos áureos do Castelo Edo.

Depois de descansar um pouco o corpo e o espírito no Parque Ueno, seguimos até ao Museu Nacional, o mais importante do país em arte asiática. A ala Toyokan abriga uma extensa coleção de objetos da Coreia, China, Sudeste Asiático e Ásia Central, incluindo armas e esculturas. A ala Heiseikan é dedicada a itens arqueológicos das eras Jomon e Haniwa, a partir de 10.000 a.C.. O edifício principal Honkan exibe peças mais recentes, como espadas, armaduras e máscaras samurai, formando o mais completo conjunto de artefactos nipónicos do planeta._dsc2640

Um outro sítio imperdível em Tóquio é o complexo de templos Senso-ji ou Asakusa, ou não fosse o santuário budista mais antigo da cidade. Este foi, originalmente, erguido para preservar uma estátua da deusa Kannon, de apenas sete centímetros, encontrada no rio Sumida por dois irmãos pescadores. Logo à entrada, o imponente templo em vermelho e branco impressiona com o Kaminarimon (portão do trovão) e um distinto chōchin (tradicional lanterna de papel), sendo guardado à esquerda por Raijin, divindade do trovão, e à direita por Fujin, divindade do vento, de modo a afastar os maus espíritos e a dar as boas vindas aos seus peregrinos. No caminho do templo existem diversos rituais de purificação, quer através do caldeirão incensário, onde se pode espalhar incenso pelo corpo, quer através dos chafarizes de água purificada do templo, onde se pode beber da sua água e lavar as mãos. No final, podemos ainda tentar a sorte nos Omikuji (lotaria sagrada), onde, através de pequenos pedaços de papel enrolados, podemos desvendar qual será a nossa sorte para a vida futura. Nos arredores vale ainda a pena descobrir a chamada Nakamise, uma rua ladeada por lojas que vendem lembranças ou comidas típicas, assim como apreciar jardins ou outros templos, como um pagode de cinco andares, réplica do destruído aquando da guerra._dsc2628

Distraída no tempo, o Viajante Ilustrador relembrou-me da nossa sorte imediata, que nos convidava para um compromisso no Mandarin Oriental, no Tapas Molecular Bar, para aquele que seria o nosso último jantar no país do sol nascente. Afinal, nada como uma orgia gastronómica, repleta de pratos exóticos e com sabores inusitados, para aprendermos o poder dos cinco…

in Revista Açores, 18 a 24 de dezembro (págs. 28 e 29)

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