Ama o teu ritmo // Léon e praia Las Peñitas, Nicarágua

Ali tão perto das nuvens, do alto da Catedral de León  (também conhecida por Basílica Catedral da Assunção de León), fecho os olhos e tento encontrar a pulsação da cidade. Léon preserva um espírito jovem, continuando com um batimento rápido e vibrante. Mas nesta sua velocidade tão própria, existe uma maturidade própria de quem tem experiência na vida, de quem já aprendeu a saber viver… Recordo um poema do fabuloso poeta nicaraguense Rúben Darío:

Ama tu ritmo y ritma tus acciones
bajo su ley, así como tus versos;
eres un universo de universos
y tu alma una fuente de canciones.

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Assim nos ensina Léon. Serena, ouço o “click” curioso da máquina do viajante ilustrador, ouço jovens universitários cheios de sonhos, ouço sons compassados de ferraduras em contacto com o empedrado das ruas, ouço a azáfama matinal no mercado central… e escuto o meu coração. Na busca pela identidade nicaraguense, volto a ativar os restantes sentidos e mal abro os olhos, feridos pelo mergulho na luz do branco celeste da cúpula, sinto-me leve e despreocupada, como as crianças que observo a correr no frontispício da imponente catedral.
Nessa manhã visitamos ainda a Igreja da Recoleção e a Galeria de Heróis e Mártires, que conta a história da revolução sandinista, um movimento de esquerda que derrubou o regime dos Somoza, uma família apoiada pelos americanos e que dominou o país por quarenta anos.

O viajante ilustrador mostrava-se inquieto para ir para as ruas, ver as suas gentes e fotografar almas “nicas”. As bancas de rua na praça central vendiam pratos de tradicional gallo pinto (arroz com feijão frito que acompanha a maioria das refeições, inclusive pequeno-almoço), vigorón, um prato composto por yucca frita (um tubérculo parecido com batata muito utilizado em vários locais da América Central e Caraíbas), chicharrón (torresmos, pele de porco frita) e salada de couve. Além destes e de outros petiscos, não faltavam frutas, principalmente bananas, e bastantes refrescos, em especial bebidas gaseificadas por vezes mais económicas que a própria água, como coca-cola e pepsi.

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Naquele dia, a deambular pelas ruas à sua descoberta, aconselharam-nos a ir até Las Peñitas e Poneloya, duas praias que estão a menos de trinta minutos de León, e nas quais o sol nos brinda com um dos mais belos entardeceres do Pacífico… Decididos a seguir esta apetecível sugestão, rumamos até Las Peñitas. Ali desfrutamos de um mergulho maravilhoso, de um ceviche nicaraguense (uma delicada mistura de peixe cru marinado, cebola, pimentas, sumo de lima, com mais um ou outro ingrediente nicaraguense secreto), acompanhado de uma refrescante cerveza Toña.

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Não fosse aquele mar como um polvo que nos parece querer prender entre os seus tentáculos. E nós, não por agonia, mas puro prazer, simplesmente não conseguimos dali sair. Ficamos “apolvorados” naquele instante.

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