Muito antes de saber sequer da existência do Lago Atitlán era já uma apaixonada por incríveis histórias e enigmáticas personagens. Na verdade foi esta paixão que um dia me levou até Aldous Huxley. Recordo-me do primeiro livro que li deste grande escritor, Admirável Mundo Novo, uma parábola que nos faz submergir numa sociedade que deixou, lamentavelmente, de dignificar o Homem.

03. Guate - Foto 3

Sinto que devo, de algum modo, esta viagem a Huxley… Ou não fosse um dia estar a falar com um colega de universidade e aquele me dizer que adorava conhecer o Lago Atitlán, descrito por Huxley como um dos lagos mais bonitos do mundo. A vida foi generosa e, após quase doze anos, mergulho finalmente no Atitlán…

Depois de uns dias em Antigua, antiga capital da Guatemala, apanhamos um chicken bus. Estes velhos autocarros escolares americanos são vendidos em leilão e neste país de todas as cores recomeçam a sua vida. Se antes tinham vidas rotineiras, neste novo lugar levam uma vida amalucada, carregando a toda a velocidade pessoas e animais por estradas de terra e lama. A tinta amarela é substituída por murais coloridos e louvores a Jesus e a São Cristóvão, padroeiro dos viajantes e condutores. O Che (a conhecer em próximas aventuras!) contou-nos que os motoristas destes autocarros vão para o céu quando morrem, pois toda a vida os passageiros rezaram por eles!

01. Guate - Foto 1

A travessia de barco entre Panajachel e San Marcos foi como se entrássemos noutra dimensão e ao desembarcamos no cais de madeira fomos invadidos por uma sensação de espiritualidade. Neste cantinho idílico com vista para o vulcão San Pedro descobrimos imensos centros de massagens, holísticos e de meditação. Para alguns pode parecer que não se passa muita coisa em San Marcos mas esta é, sem dúvida, uma das razões do seu encanto. Aqui só há uma regra: desfrutar da natureza e contempla-la com gratidão.

02. Guate - Foto 2

Num final de tarde no Atitlán, sem relógio ou compromisso, tivemos o privilégio de conhecer o Merlin. Noutra vida batizado de Alain Galtie, este hippie do século XXI e adepto de comida saudável vive com quatro gatos felizes e lê calendários maias. Farto da sociedade automatizada e acelerada, Merlin decidiu transformar-se num conselheiro, não do Rei Artur, mas de todos. Este mago moderno é um homem com sangue e alma de quetzal que, como esta ave, morre quando privado de liberdade.

Talvez o Merlin, tal como o seu homónimo personagem, seja confundido com um louco que, na versão contemporânea da lenda, troca as terras europeias pelas guatemaltecas. Bizarramente sábio, o Merlin sorri com um olhar bondoso, o Merlin é… calidad!

04. Guate - Foto 4

in Revista Açores, 13-19 de Março de 2016

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